quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O NENÉM OU A NENÉM? O BEBÊ OU A BEBÊ?

Não é estranho o fato de muitos pensarem que a mesma regra se aplica aos dois casos aqui retratados, de modo que os artigos masculino e feminino são usados indiferentemente antes dos substantivos neném e bebê.

Há, no entanto, uma diferença, sim!

"Neném" é um substantivo sobrecomum, o que o torna impossibilitado de admitir o artigo feminino como seu precedente.

Assim, são erradas as construções do tipo:

A neném está chorando sem parar.

Fabiana é uma neném linda.

O correto é:

O neném está chorando sem parar. (seja menino, seja menina)

Fabiana é um neném lindo.

Observação: Os dicionários Houaiss e Aulete admitem o substantivo neném como sendo comum de dois gêneros, e portanto, aceitam o mesmo tratamento dado ao substantivo bebê. O Aurélio, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa e o gramático Cegalla, no entanto, insistem na diferença e discordam do Houaiss e do Aulete.

"Bebê", por sua vez, é um substantivo comum de dois gêneros, e como tal, admite os artigos masculino e feminino:

A bebê (ou o bebê) está chorando sem parar.

Fabiana é uma bebê linda.

Rodrigo é um bebê inteligente.

.

15 comentários:

  1. Acabo de consultar o dicionário Houaiss e verifiquei que existem as duas acepções, os dois gêneros. Está assim:

    NENÉM- S 2g. criança de colo. Bebê.

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  2. Anônimo(a):

    Usei como referências o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), o Dicionário Aurélio e a Novíssima Gramática da Língua Portuguesa (do Cegalla), que têm o mesmo entendimento: "neném" é um substantivo masculino, e portanto de um só gênero. Mas parece que não há consenso, tanto que o Houaiss e o Dicionário Aulete virtual admitem os dois gêneros. Cabe uma observação na postagem e vou fazê-lo oportunamente, embora o VOLP seja a voz oficial no Brasil.

    Continue participando.

    Robério Fernandes

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  3. Acrescentei uma observação sobre o entendimento dado pelos dicionários Houaiss e Aulete.

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  4. ESSAS DUVIDAS TEM FEITO MUITA GENTE PERDER PROVAS E CONCURSOS. CREIO QUE O CERTO É SEGUIR PELO VOLP POIS AS MELHORES BANCAS DO PAÍS SEGUEM POR ELE. NÃO DEVEMOS SEGUIR POR AQUILO QUE PESSOAS COMUNS FALAM POR SER MAIS FÁCIL, MAS SIM BUSCAR O CORRETO E O QUE AS BANCAS ACEITAM.

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    1. tenho a mesma opinião dele pro que ir pelo que é mais fasio! se temos que saber o que realmente e certo.

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    2. É brincadeira, neh? Fasio?

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  5. Quando foi que bebê passou a ser comum de 2? Porque até na universidade, nos tempos que por lá passei, era só sobrecomum. Existe algum parâmetro de datas para considerar o que era ''errado'' antes como ''certo'' agora. Houve tempos quem só se podia dizer e escrever ''o manequim'', '' o modelo''. Agora já sacramentaram ''o/a manequim/modelo''. Fiquei na dúvida.

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    1. Lia, não sei precisar o aspecto cronológico, mas o certo é que a língua é viva, de modo que o conceito de "regra" não é absoluto, principalmente quando levamos em consideração o aspecto cronológico.

      Assim, há palavras que outrora eram masculinas e hoje são femininas (e vice-versa). Outras, por sua vez, tinham uma conotação totalmente diferente da atual.

      Devemos ter em mente que o processo histórico das mutações nem sempre é perceptível, o que faz com que costumeiramente só notamos depois.

      Aquilo que conhecemos como "regras" na verdade se trata, em boa parte, de consensos informais entre estudiosos da língua portuguesa, assim como no Direito há as doutrinas e as jurisprudências, que acabam se tornando súmulas.

      Notemos que é comum os gramáticos dizerem, por exemplo, que escritor tal (geralmente consagrados, como Machado de Assis, Rui Barbosa, dentre tantos outros) optaram essa ou outra opção.

      Outra observação é que, na atualidade, a imprensa tem tido peso enorme em ditar tendências, que, aos poucos, podem virar regras num futuro não distante.

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    2. Muito obrigada pelo retorno! Nem esperava! Resolvi espiar hoje depois de tanto tempo e fiquei feliz com a atenção!


      Sim, entendo perfeitamente o argumento. Mas, justamente, vou “pegar o gancho” no último parágrafo que escreveu. O peso enorme da imprensa em ditar tendências, mais do que escritores consagrados. A indigência intelectual que assola a imprensa, falada e escrita, é que está gerando tantas confusões numa velocidade que ninguém consegue acompanhar em termos de revisão de texto.

      Uma forma ''errada'', se jogada na internet, acaba gerando uma estatística de ocorrências (resultados em “X” segundos...) e as pessoas tendem a achar que porque tem tantas ocorrências na busca é o certo e pronto, não se dão conta que tudo é fruto de tantas cópias, vão replicando a mesma notícia, só copiar e colar direto.

      Não dá para largar na mão da imprensa todo esse poder e direito de tornar seus erros em acertos. A imprensa que teria de se ajustar às normas e não recriá-las com essa profusão. Gera muita instabilidade.

      Sei que na França o rigor é maior e não há tanta moleza para a tal imprensa. Do jeito que vai, ou já está, melhor então não perguntarem mais nada em provas e concursos, nem escolas, cada um escrevendo e falando como quiser e seguindo a tal modernidade do ''se entendeu, então está certo''. Muito estresse para quem estuda, mais ainda para quem é cobrado nas revisões e correções.

      Não consigo mais ver utilidade no ensino de língua portuguesa, em nenhum nível, já que basta seguir a imprensa e seus despreparados praticantes. Se eles não sequem o ensino dos professores, se são os que determinam aos mestres o que estes devem ensinar, alguém está no lugar trocado nessa dança toda.
      A língua é viva e se modifica. Fato! Todavia, certas coisas, ficam difíceis de aceitar. Dizer “uma” Ferrari para se referir ao carro? Deveriam ser coerentes então e dizer ''uma'' Volvo, Fiat, VW, Jaguar, etc. No entanto, não o fazem. Há muita diferença dizer “uma” Honda ou BMW para motocicletas [motos] das marcas e ‘um’ Honda Civic ou BMW para os carros da mesma marca. Um Honda é o carro, uma Honda é a moto. O bandido roubou uma BMW é carro ou moto?

      Perdoe-me se pareço chata, mas não dou e ninguém deveria dar a ''jornalistas'' tanto poder de vida e morte sobre o idioma. Já são arrogantes demais pelo que influenciam na formação de opinião. Que acabem então com professores e cursos de Letras e jornalistas que passem a fazer tais papéis no ensino já que são os deuses do idioma e de tudo.

      Quando a imprensa era feita por gente sem curso de Jornalismo a qualidade era bem melhor. Jornalistas e escritores tinham cuidados extremos no uso da ferramenta. Não consigo deixar de ver uma inversão de hierarquia transformando estudiosos de línguas, os linguistas, em meros serviçais de jornalistas abonando tudo que fazem, só coletando na imprensa e formatando em gramáticas e dicionários. Encurtem o caminho e parem de fazer livros tipo gramáticas e dicionários! Basta mandar seguir jornalistas e fim.

      Att.

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  6. Prendi que só se podia dizer:o bebê, tanto para bebê do sexo masculino como do sexo feminino, agora já mudou?

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  7. É o nosso idioma (ou língua) que é assim tão "mutável", para não dizer bagunçado? Será que os outros idiomas também tem essa "permissividade" toda? Ou será que a péssima formação cultural do brasileiro, mormente nas letras do ensino fundamental, especialmente daqueles encarregados de divulgar o idioma pátrio, é que forçam a "popularização" e a legitimação do errado?

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    1. Concordo, com voce anonimo, quando mudou?

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  8. A nossa língua não é o português??? Então sigamos o dicionário português! Não é só isso?? Pronto!

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  9. Bebê e neném na minha concepção é sobrecomum

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  10. O bebê (mas/fem) e o neném (mas/fem)

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