quarta-feira, 12 de maio de 2010

O EMPREGO DOS NUMERAIS

1. Não se deve usar o numeral um antes de mil

Ganhei mil reais. (correto)
Ganhei um mil reais.
(errado)
Ganhei hum mil reais.
(errado)

Nas redações, assim como em cheques, notas promissórias, etc., geralmente, por desconhecimento, escreve-se a frase assim:

Fulano pagará pela dívida R$ 1.205,10 (hum mil, duzentos e cinco reais e dez centavos).

Na frase acima há dois erros, a saber: não se deve usar a palavra hum antes do numeral mil nem se deve utilizar a vírgula entre os numerais escritos por extenso.

A frase correta é:

Fulano pagará pela dívida R$ 1.205,10 (mil duzentos e cinco reais e dez centavos).

Também não se escreve um mil duzentos e cinco reais e dez centavos.

2. Em relação ao primeiro dia do mês
Deve-se usar o ordinal e não o cardinal. Assim, vejamos:

Fortaleza, 1º de fevereiro de 2010. (correto)
Fortaleza, 01 de fevereiro de 2010.
(errado)
Fortaleza, 2 de fevereiro de 2010.
(correto)
Fortaleza, 2º de fevereiro de 2010.
(errado)
Fortaleza, 5 de fevereiro de 2010.
(correto)

Com relação ao primeiro dia, há gramáticos respeitados, como Evanildo Bechara, que defendem tanto o uso do ordinal como do cardinal. O emprego do ordinal, todavia, parece ter maior aceitação e, portanto, deve receber prioridade.


3. Com relação às datas, devo usar AOS, A ou EM?
É facultativo. Assim, posso empregar qualquer uma das três opções. Vejamos algumas situações:

Aos 23 dias de março foi prolatada a sentença.
A 23 de março foi prolatada a sentença.
Em 23 de março foi prolatada a sentença.
No dia 23 de março foi prolatada a sentença.

A reunião dos magistrados ocorreu em 25 de março de 2009.
A reunião dos magistrados ocorreu a 25 de março de 2009.
A reunião dos magistrados ocorreu aos 25 dias de março de 2009.
A reunião dos magistrados ocorreu no dia 25 de março de 2009.

O presidente da República chegou ao Brasil a 15 de janeiro de 2005.
O presidente da República chegou ao Brasil em 15 de janeiro de 2005.
O presidente da República chegou ao Brasil aos 15 dias de janeiro de 2005.
O presidente da República chegou ao Brasil no dia 15 de janeiro de 2005.


4. Os numerais milhares, milhões e bilhões exigem o artigo no masculino e jamais no feminino

Os milhares de mulheres compareceram à passeata. (correto)
As milhares de mulheres compareceram à passeata. (errado)

Os três milhões de árvores plantadas cresceram devagar. (correto)
As três milhões de árvores plantadas cresceram devagar. (errado)

Não há oferta de trabalho para os dois bilhões de pessoas ociosas. (correto)
Não há oferta de trabalho para as duas bilhões de pessoas ociosas.
(errado)


5. Na designação de artigos, capítulos e parágrafos, usam-se os ordinais de um a nove e os cardinais de dez em diante
Capítulo VII (sétimo e não sete)
Capítulo X (dez e não décimo)
Artigo IX (nono e não nove)
Artigo X (dez e não décimo)
Parágrafo X (dez e não décimo)
Parágrafo XI (onze e não décimo primeiro)


6. Na designação de papas, séculos e reis, usam-se os ordinais de um a dez e os cardinais de onze em diante

Oficialmente o fim do Império Romano se deu no século V. (século quinto e não século cinco)

A Reforma Protestante e a Contrarreforma ocorreram no século XVI. (século dezesseis e não século décimo sexto)

Pio X e Pio XII foram dois papas da Igreja Católica. (respectivamente Pio décimo e Pio doze)
Dom Pedro II era maçom. (Pedro Segundo)

Usar-se-ão, todavia, os ordinais em frases do tipo:

No décimo quarto século depois do fim do Império Romano nasceu Nietzsche, o filósofo que mais perseguiu o cristianismo.


7. Na designação de páginas de um livro e nos endereços de apartamentos e casas de uma vila usam-se os cardinais
Carla abriu o livro na página 5. (cinco e não quinta)
Carla mora no apartamento 203. Casa 3. (três)

Se o numeral anteceder o substantivo, o ordinal deve ser usado.

Carla abriu o livro na 5ª página. (quinta e não cinco)
Carla abriu o livro na quinta página. (correto)


8. Não se usa o ponto entre os numerais, quando estes designam datas
Hoje é dia 13 de maio de 2010. (correto)
Hoje é dia 13 de maio de 2.010. (errado)

Nos demais casos, o ponto deve ser colocado entre as centenas e milhares, assim:

Ele ganhou R$ 1.250.350,18 de prêmio. (correto)
O juiz de Direito fez menção ao art. 1.184 do Código de Processo Civil. (correto)
O juiz de Direito fez menção ao art. 1184 do Código de Processo Civil. (errado)

João está com 1.120 pontos. (correto)
João está com 1120 pontos.
(errado)


9. Uso de sinais gráficos entre as datas
Devo escrever 13/12/2010, 13.12.2010 ou 13-12-2010?

As três situações são aceitas, sendo a primeira a mais indicada.

Consultando o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), percebemos o emprego da barra (como no primeiro exemplo acima) com maior frequência em relação às demais situações. Aliás, só encontramos uma situação em que o segundo caso é utilizado e nenhum exemplo do terceiro.


10. Quantidade de dígitos em relação aos dias, meses e anos
Analisemos as seguintes situações:

a) 7/6/2010
b) 7/06/2010
c) 07/06/2010
d) 07/06/10
e) 07/6/2010
f) 12/6/2010
g) 6/12/2010

Quais das opções acima estão redigidas corretamente?

Na escrita, deve-se escolher a opção “a”. No preenchimento de campos, seja em papéis, seja nos meios eletrônicos, deve-se usar a opção “c” ou a “d”. A explicação se deve pelo fato dos campos existentes nos formulários já conterem dois dígitos para cada data, e, com relação ao campo “ano”, dois ou quatro dígitos.

No preenchimento de carimbos e na aposição manual de datas, é indicado preencher os espaços nos termos da opção “c”, a fim de se evitar fraudes, mesmo sabendo que tal postura força a indicação corrente.

Na digitação em máquinas de escrever e em computadores, deve-se utilizar a opção “a”, quando o momento aprouver. Melhor mesmo é fazer menção ao mês escrevendo o nome, acrescentando-se à frase a preposição de entre o dia e o ano, principalmente quando houver a antecipação de nomes geográficos.

Deste modo, no computador, posso digitar:

O fato aconteceu a 5 de julho de 2010.
O fato aconteceu a 5/7/2010.
Mas devo digitar:

Fortaleza, 5 de julho de 2010. (por causa do nome geográfico, no caso Fortaleza)


11. Uso de sinais gráficos entre a data, o nome geográfico e entre este e a sigla correspondente ao estado ou país

Analisemos as seguintes proposições:

a) ( ) Fortaleza, CE, 6 de maio de 2010.
b) ( ) Fortaleza-CE, 6 de maio de 2010.
c) ( ) Fortaleza/CE, 6 de maio de 2010.
d) ( ) Fortaleza, (CE), 6 de maio de 2010.
e) ( ) Fortaleza (CE), 6 de maio de 2010.

Quais das proposições podem ser consideradas aceitas, levando em conta o uso do sinal gráfico entre a data, o nome geográfico por extenso e a sigla do Estado?

Há uma Norma Técnica da ABNT, a NBR-6023, sobre referências bibliográficas, que recomenda o acréscimo da sigla do Estado após o nome da cidade em duas situações:

1) Na referência a livros, periódicos, congressos, simpósios, palestras, eventos em geral, etc., quando houver mais de uma cidade com o mesmo nome. Por exemplo, Valença, nome de cidade do Piauí, da Bahia e do Rio de Janeiro.

2) Em publicações oficiais, como o Diário Oficial (Brasília, DF). Nestes casos, a sigla é separada da cidade e do local por uma vírgula, o que faz com que a opção “a” seja a verdadeira.

Em que pese tal norma, lendo o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (que faz silêncio em relação à normatização do que está sendo questionado aqui), veem-se, em seu corpo, dois exemplos distintos, um assinado em 1998 pelo então presidente da ABL, em cujo texto ele diz Teresópolis (RJ), ao passo que o outro texto diz Seara-SC, de modo que somos levados a acreditar que as três formas são aceitas.

Assim, ponderamos que as opções “a”, “b” e “e” são aceitáveis.

OBSERVAÇÃO: O emprego da sigla do Estado deve ser evitado em documentos oficiais, até porque no cabeçalho da folha deve conter o nome do Estado. Assim, ao se redigir uma sentença, na qual aparece no cabeçalho o nome ESTADO DO CEARÁ, no espaço destinado à data escreva-se, por exemplo, Fortaleza, 13 de maio de 2010. Tratando-se de uma petição de advogado, é facultativa a inserção da sigla CE, sendo recomendada a sua ausência, a menos que haja outra cidade com o mesmo nome.

Observação à parte: Há situações que exigem somente o travessão, como nos exemplos seguintes:

O PT-CE e o PSDB-RS se reuniram sábado passado.
O reitor da PUC-SP decidirá sobre o acontecido.


12. Uso do sinal gráfico separador dos valores extremos de uma série

É comum, na escrita, a utilização da barra (/) para separar valores que se encontram em posições extremas numa série. Assim, é comum encontrar a fls. 5/12.

Tal construção não corresponde à erudição pretendida na redação oficial de documentos, porque o sinal gráfico indicado é a meia-risca (–), que, no teclado, pode ser obtido a partir do atalho Alt + 0150, ao passo que o travessão se acha por meio do atalho Alt + 0151.

Assim, devo dizer:

Conforme a sentença prolatada a fls. 5–12.

O mesmo raciocínio vale para:

Leia-se o Manual de Português, itens A–Z. (e não itens A/Z)

INDICAÇÃO: Clique no link abaixo e leia sobre as diversas formas dos numerais serem escritos em um texto:


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12 comentários:

  1. Ótimo resumo!
    Ajudou-me muito!
    Obrigada...

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  2. Obrigado pela confiança. Continue acessando o blog; sempre estaremos postando questões no tópico TESTE SEUS CONHECIMENTOS.

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  3. Parábens pela ajuda!

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  4. Gostei... Matemática/Português!!!

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  5. Bom dia! Obrigado pelo resumo. Qual é a fonte dessas regras?
    Preciso citar em um trabalho e gostaria de consultar no livro...
    Obrigado!

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  6. Olá. Escutei muito quando criança a explicação de que: "hum" mil era para não haver espaços para alteração de um cheque! É claro que é errado, mas por precaução, se fazia assim!!! Caso não se fizesse isso, um pouco de espaço antes do "mil" e um pouco de talento do infrator, um cheque poderia custar Sete "mil" e não apenas "mil". Entende? Apenas precaução. Mamãe sempre foi precavida. Abraço a todos e qualquer duvida é só pedir. hehehehe

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  7. Excelente resumo. Em que fonte, o caro professor se baseia?

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  8. E qual o emprego de numerais em eventos, qual a forma correta de acordo com as regras gramaticais?

    1º Congresso Brasileiro de Estudos da Lingua Portuguesa ou
    I Congresso Brasileiro de Estudos da Lingua Portuguesa

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