domingo, 9 de janeiro de 2022

TINHA TRAGO OU TINHA TRAZIDO? TINHA CHEGO OU TINHADO CHEGADO?

Não existem os particípios "chego" e "trago". Portanto, são consideradas errôneas as frases do tipo: "Tinha chego" e "Tinha trago" (não confundir com "Eu chego" e "Eu trago"). 

As formas corretas quando usamos os dois particípios são as seguintes:

Tinha chegado e Tinha trazido

sábado, 15 de julho de 2017

ÁGUA BENTA OU ÁGUA-BENTA?

O Aurélio consigna que, em se tratando da "água que o celebrante benze e exorciza", devemos usar o verbete sem o hífen (água benta).
 
O hífen é de rigor quando se refere à cachaça (água-benta).
 
Vale lembrar que o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, que representa a voz oficial da Academia Brasileira de Letras, traz na referida obra o verbete água-benta, mas não informa seu significado, assim como não traz o significado dos demais verbetes, de maneira que ele é apenas uma referência à cachaça, e não à água utilizada pela Igreja Católica para benzedura e exorcismos.
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domingo, 14 de fevereiro de 2016

ZERO, MEIO, AMBOS, METADE, ÚLTIMO, PENÚLTIMO, ANTEPENÚLTIMO E METADE SÃO NUMERAIS?

Meio, zero e ambos são numerais.

Metade é substantivo.

Último, penúltimo e antepenúltimo são adjetivos.

Os ordinais (quinto, décimo terceiro, etc.) são numerais, assim como os multiplicativos (sêxtuplo, cêntuplo, etc.) e os fracionários: nono, treze avos, etc.

Todos os ordinais também são numerais.

domingo, 25 de outubro de 2015

A DIFERENÇA ENTRE PERCA E PERDA

A simples afirmação de que "perda" é um substantivo e "perca" é a forma conjugada do verbo "perder" não parece ser suficiente para esclarecer, na prática, as dúvidas em torno do emprego desses dois vocábulos. Então vamos para um método mais prático.

Use "perda" sempre que se puder colocar antes dele um artigo (o, a, um, uma). Exemplos:


1. "Se a perda sofrida por ele foi tão grande assim, decerto está muito abatido".

2. "A perda da roça deixou o agricultor entristecido".

3. "Não me venha com essa de que a perda dos sonhos é motivo para não voltar a sonhar".


Diferentemente da condição assinalada, não se admite o emprego de artigo antes de "perca". Exemplos:


1. "Não perca as esperanças, rapaz!".

2. "Perca tudo, mas não perca o sonho de viver".

3. "Esperamos que ele não perca o treino".


CUIDADO:


1. Em frases do tipo "Não o perca de vista", esse "o" não é artigo, pois está substituindo o pronome "ele".

O mesmo ensinamento vale para a seguinte situação: "A perda do treino certamente o deixará de fora do jogo, de sorte que pedimos que não o perca por nada", haja vista que, no trecho "não o perca por nada", não temos um artigo, pois o "o" está substituindo a palavra "treino".

2. Na frase "José está com perda de cabelo" não temos um artigo antes de "perda", porém é possível a presença do artigo sem que o sentido da mensagem seja alterado: "José está com uma perda de cabelo".

3. Observe que antes de "perca" nunca é possível um artigo. Basta reler os exemplos trazidos, bem como observar outros criados por você próprio.



sábado, 31 de janeiro de 2015

OFÍCIO-CIRCULAR ou OFÍCIO CIRCULAR?

Essa é uma dúvida comum, principalmente entre os redatores de textos dos órgãos públicos. Frequentemente presenciamos a utilização das duas formas.
 
Não encontramos nos dicionários, nem ainda no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, a palavra ofício-circular (com hífen).
 
A explicação é simples: a composição formada por substantivo + adjetivo não exige o hífen, diferentemente de substantivo + substantivo (como é o caso de ano-luz).
 
Assim, o correto é escrever ofício circular (sem hífen).
 
E quanto às iniciais, maiúsculas ou minúsculas?
 
Acompanhado do respectivo número, escreva ambos os vocábulos com as iniciais maiúsculas: Ofício Circular nº 10/2015.
 
Desacompanhados do respectivo número, opte pelas iniciais minúsculas (exceto se iniciam uma frase -  caso em que somente a primeira palavra tem a inicial maiúscula -, ou quando estejam em lugar de destaque, como no cabeçalho de um texto).
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terça-feira, 15 de julho de 2014

"ESTADO" SE ESCREVE COM INICIAL MAIÚSCULA OU MINÚSCULA?

A palavra "estado" tem alguns significados, mas estamos falando, evidentemente, do vocábulo referente ao governo, ao país, ao ente da federação, à entidade jurídica com natureza política.
 
A dúvida, que parece ser frequente, pode ser minimizada - ou mesmo desaparecer, quando atentarmos para uma regra simples.
 
Em se tratando de governo, país ou entidade jurídica com natureza política, deveremos usar sempre a inicial maiúscula:
 
O Estado nem se deu conta de que está sendo passado para trás.
 
A última Constituição do Estado brasileiro foi confeccionada num período de transição política.
 
O Estado tem o dever constitucional de promover a igualdade social.
 
Alguns Estados da América do Sul parecem voltar no tempo.
 
Por sua vez, tratando-se do ente federativo de um país, deveremos optar pela inicial minúscula:
 
O estado do Ceará pertence ao Nordeste brasileiro.
 
Os estados nordestinos ocupam considerável porção do território nacional.
 
O Ceará tem recebido muitos turistas na última década. Esse feito se deve, quase em sua totalidade, às belas praias que nosso estado oferece.
 
Observação: Até bem pouco tempo era comum a recomendação para se usar, em todos os casos acima, a inicial sempre maiúscula. Todavia, gradativamente os meios de comunicação (e depois respeitáveis dicionários, como o Houaiss) passaram a adotar a regra a que nos referimos acima.
 

quinta-feira, 8 de maio de 2014

APOLOGIA AO ou APOLOGIA DO? A REGÊNCIA DE APOLOGIA

De acordo com o dicionário Houaiss, a regência de apologia é "de". Logo, dizemos:

Apologia do crime
Apologia dos direitos

"Apologia" é, na verdade, a defesa de algo. E quem defende, faz a defesa de alguma coisa e não "a alguma coisa".

sábado, 25 de janeiro de 2014

A DIFERENÇA ENTRE ONDE E AONDE

De acordo com o ensinamento dos gramáticos, usamos aonde com verbos de movimento e onde com verbos de permanência.

Seriam verbos de movimentos, por exemplo, chegar, levar, ir. Exemplos de verbos de permanência seriam estar, morar, ficar.

Note-se que os verbos de movimento acima mencionados são construídos com a preposição a, enquanto os de permanência com a preposição em. Assim, vejamos como fica a conjugação dos verbos apontados:

Chegar a algum lugar.
Levar a algum lugar.
Ir a algum lugar.

Está em algum lugar.
Morar em algum lugar.
Ficar em algum lugar.

Dadas as dicas em questão, basta verificar a regência a ser empregada, para em seguida escolhermos entre onde e aonde. Vejamos na prática:

Chegaremos aonde mesmo?
Não sei aonde levaram.
Irei aonde me pedir.

Fique onde você está.
Esta é a rua onde ela mora.
Ela está onde tem que ficar mesmo.

Outros exemplos:

Onde você colocou o livro? (Colocou o livro em algum lugar e não a algum lugar)
Dirigiu-se aonde? (Dirigiu-se a algum lugar e não em algum lugar)
Esta é a casa onde ela nasceu e cresceu. (Nasceu e cresceu em algum lugar e não a algum lugar)

Observação:

Precedido de preposições, use sempre onde, mesmo que o verbo seja de movimento (e exija a preposição a):

Até onde ele foi não sei.
De onde você vem?
Para onde iremos?

Deste modo, perceba a diferença:

Ontem ela saiu do hospital, aonde deve retornar a fim de fazer novos exames.
Ontem ela saiu do hospital, para onde deve retornar a fim de fazer novos exames.

Atenção:

Quando na mesma frase houver dois verbos que pedem preposições diferentes, empregue onde ou aonde de acordo com a regência do verbo a quem as palavras em questão estão complementando. De tal modo, completemos, na frase seguinte, o espaço vazio de acordo com este ensinamento:

Dirigiu-se _______ ela está.

Note-se que temos dirigiu-se a algum lugar e está em algum lugar, a primeira com a regência a e a segunda construção com a regência em.

O correto então é Dirigiu-se aonde ela está, pois aonde está complementando o verbo dirigir, que exige a preposição a, e portanto verbo de movimento.

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sábado, 30 de novembro de 2013

AMIGO SECRETO OU AMIGO-SECRETO?

As duas formas estão corretas, mas têm significados diferentes, daí o cuidado na hora de aplicá-las. Em se tratando da festa em si, o correto é "amigo-secreto" (com hífen). No entanto, cada um dos participantes é o "amigo secreto" (sem hífen).

Vejamos as seguintes frases (com os empregos corretos dos referidos termos):

Amanhã acontecerá a festa do amigo-secreto.

O José é meu amigo secreto.

Já sei quem é minha amiga secreta, o que só aumentou minha ansiedade pelo tão sonhado dia do amigo-secreto.

Atenção:

Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa registra somente "amigo-secreto", mas não traz seu significado, o que não é suficiente para se deduzir que não existe a forma "amigo secreto".

O Aurélio, por sua vez, não consigna "amigo-secreto", mas "amigo-oculto" (que tem o mesmo significado).

Discutindo o verbete amigo, o referido dicionário traz "amigo oculto" (sem hífen), e aponta seu significado como sendo cada um dos participantes da festa do amigo-oculto. Logo, fica evidente a diferença entre "amigo-secreto" e "amigo secreto".

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terça-feira, 8 de outubro de 2013

O NOVO TRATAMENTO PROTOCOLAR PARA ADVOGADOS E DELEGADOS DE POLÍCIA

O tratamento dado aos delegados de polícia mudou depois da Lei nº 12.830, de 20 de junho de 2013, os quais deverão ser chamados de "excelência", mesmo tratamento dado aos defensores públicos, juízes e promotores de justiça.
 
Vejamos o que diz o artigo 3º da citada Lei:
 
"O cargo de delegado de polícia é privativo de bacharel em Direito, devendo-lhe ser dispensado o mesmo tratamento protocolar que recebem os magistrados, os membros da Defensoria Pública e do Ministério Público e os advogados."
 
Cabe observar, preliminarmente, que não se deve confundir o tratamento "excelência" com o título "doutor", tanto que a Lei em questão não faz menção a este último, razão por que, de acordo com o Manual de Redação da Presidência da República, somente quem tem doutorado deve receber tal deferência.
 
Depreende-se da mesma Lei, especialmente por seu artigo 2º, que a ascensão protocolar em relação aos delegados de polícia se deve à importante função exercida pelos mesmos, chamada na Lei de "essenciais e exclusivas do Estado".
 
Dos profissionais relacionados à prática jurídica, tínhamos, tradicionalmente, o tratamento "excelência" concedido somente a juízes e promotores de justiça.
 
O artigo 41 da Lei Orgânica Nacional do Ministério Público assim descreve:
 
"Constituem prerrogativas dos membros do Ministério Público, no exercício de sua função, além de outras previstas na Lei Orgânica:
I - receber o mesmo tratamento jurídico e protocolar dispensado aos membros do Poder Judiciário junto aos quais oficiem".
 
Quanto aos defensores públicos, consta da Lei Complementar 80/94 o seguinte:
 
"Art. 128. São prerrogativas dos membros da Defensoria Pública do Estado, dentre outras que a lei local estabelecer:
XIII - ter o mesmo tratamento reservado aos Magistrados e demais titulares dos cargos das funções essenciais à justiça".
 
Merece destacar, em relação aos defensores públicos, que, mesmo diante dessa recomendação, diversos manuais de redação silenciam quanto a essa deferência, embora o dispositivo acima transcrito não comporte ambiguidades.
 
No tocante aos advogados, o mesmo tratamento protocolar encontra amparo pelo processo de analogia, dado que, pela Constituição Federal (Art. 133), "o advogado é indispensável à administração da justiça...", mesmo tratamento institucional dado à Defensoria Pública, descrita na Constituição (Art. 134) como "instituição essencial à função jurisdicional do Estado".

Não use "meritíssimo", pois é privativo de juízes de direito.
 
Nota: Quanto aos empregos das iniciais maiúsculas e minúsculas em títulos, axiônimos, pronomes de tratamento, cargos públicos, profissionais, etc., acesse a página na qual falamos detalhadamente sobre tais casos: Eis o link:
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terça-feira, 20 de agosto de 2013

OITAVAS-DE-FINAL ou OITAVAS DE FINAL? QUARTAS-DE-FINAL ou QUARTAS DE FINAL?

Os seguintes termos (associados aos torneios por eliminação) são designados por escrito sem o hífen. Deste modo, devemos escrever:

A oitava de final,
A quarta de final e
A semifinal.

Os respectivos plurais são:

As oitavas de final,
As quartas de final e
As semifinais.

Fica evidente, portanto, que intercalado pela preposição de, o termo final não vai para o plural, somente o primeiro deles (oitavas e quartas).

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domingo, 23 de junho de 2013

A CONCORDÂNCIA VERBAL COM TÍTULOS DE OBRAS LITERÁRIAS

Geralmente o verbo fica no plural quando o título da obra literária está no plural, embora seja admitido o singular, principalmente quando a concordância é feita com o verbo ser
 
As Cartas Persas é de autoria do francês Montesquieu.
 
As Cartas Persas anunciam o Espírito das Leis. (Manuel Bandeira)
 
As Valkírias foi publicada em 1992.
 
Os Sertões, de Euclides da Cunham, contam a história de uma sangrenta guerra vivida no final do século 19. 
 
Observação: A primeira e a terceira frases poderiam ser construídas com os verbos no plural, enquanto as duas outras frases com os verbos em destaque no singular. No entanto, por questão de estética e de eufonia, caso a concordância não se dê com os verbos ser e estar, melhor é utilizar a concordância no plural, como retratamos na segunda e na quarta frase acima.

Finalmente, cabe observar que em "As Valkírias foi publicado em 1992" a concordância se dá a partir da ideia implícita de livro (ou seja, "O livro As Valkírias foi publicado em 1992").
 
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domingo, 19 de maio de 2013

A CRASE ANTES DOS PRONOMES POSSESSIVOS

De acordo com a norma padrão, é facultativo o emprego da crase antes dos pronomes possessivos, uma vez é facultativo o artigo antes de tais pronomes.

Na frase Ela gostava de meus livros, temos a preposição, mas não temos o artigo antes do pronome meus. Assim, a frase também estaria correta deste modo: Ela gostava dos meus livros, pois a presença do artigo "o" também é possível (de + o = dos).

Do mesmo modo, em Ela se referiu a minha opinião, temos a preposição, mas não o artigo, daí a ausência da crase. Se, todavia, houver o emprego do artigo, a crase é de rigor: Ela se referiu à minha opinião.

Os pronomes até aqui empregados são chamados de possessivos adjetivos, pois acompanham um substantivo. Quando não acompanham um substantivo (chamados de possessivos substantivos), a crase é obrigatória:

Ela se referiu a minha opinião e não à sua.

Temos, na frase logo acima, dois pronomes [minha (pronome adjetivo, pois está acompanhado do substantivo opinião) e sua (pronome substantivo, pois está desacompanhado de substantivo)]. No primeiro dos pronomes, temos a preposição, mas não temos o artigo (daí referiu-se a minha), enquanto no segundo, temos o artigo e a preposição (daí e não à sua).

Vale ressaltar que a frase também poderia ser construída com duas crases, pois bastaria usar o artigo antes do pronome minha:

Ela se referiu à minha opinião e não à sua.

Cumpre destacar que modernamente o artigo tem sido empregado com maior frequência, daí a nossa recomendação para o emprego da crase, até para se evitar ambiguidade.

O emprego facultativo também vale para o início das frases:

Os meus esforços foram recompensados. (correto)
Meus esforços foram recompensados. (correto)

Ainda cabe uma última observação: se o pronome precede o nome de parentesco, não utilize a crase:

Referiu-se a minha mãe.

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domingo, 10 de março de 2013

EMPREGOS DO APÓSTROFO

Tentaremos sintetizar, de forma bastante objetiva, alguns empregos do apóstrofo a partir das prescrições do Acordo Ortográfico de 1990 (atualmente em vigor).
 
1º - Posso escrever e ler em Os Sertões ou n'Os Sertões. Vejamos alguns casos possíveis:
 
Lê-se em Os Sertões sobre a Guerra de Canudos.
Lê-se n'Os Sertões sobre a Guerra de Canudos.
 
Observação 1: O emprego do apóstrofo exige a consoante n na forma minúscula, salvo se iniciar uma frase.
 
A mesma regra vale para em Os Lusíadas e n'Os Lusíadas.
 
Observação 2: Quando não utilizamos o apóstrofo, devemos ter muito cuidado na hora de empregar, na forma escrita, a preposição que antecede o título de uma obra iniciada por artigo (como Os Sertões, por exemplo):
 
Referiu-se a Os Sertões. (e não aos Sertões, nem ao Os Sertões)
Lê-se em A República toda a utopia política de Platão. (e não na República)
Referiu-se a A República. (e não à República)
A Guerra de Canudos está contida também em Os Sertões. (e não nos Sertões)
 
O motivo da exigência é simples: havendo a contração ou a combinação, fica comprometido o exato título da obra. Assim, se o título correto é A República, escrevendo-se na República, estaríamos dizendo que o nome da obra é somente República, o que seria um erro.
 
O texto do acordo abre uma ressalva somente para os casos de leitura, quando também estariam corretas as construções consideradas erradas na escrita, as quais foram utilizadas logo acima. Segue, pois, que, por questão de agrado auditivo (eufonia), eu poderia ler (e não escrever):
 
Referiu-se aos Sertões.
Lê-se na República toda a utopia política de Platão.
Referiu-se à República.
A Guerra de Canudos está contida também nos Sertões.
 
 
2º - Referindo-se a Deus, a Jesus, à mãe de Jesus e à Providência, obrigatoriamente devemos escrever (e ler), quando optarmos pelo apóstrofo:
 
A salvação só poderá vir d'Ele. (de Jesus ou de Deus)
Está n'Ela, aos pés da cruz, a marca do sofrimento materno. (da mãe de Jesus)
Hitler sempre confiou na Providência, e via n'Ela a chance de reverter o destino que o celou.
 
Observação 1: Referindo-se aos mesmos personagens, devemos escrever (quando não utilizarmos o apóstrofo) com iniciais minúsculas os vocábulos correspondentes:
 
A salvação só poderá vir Dele. (de Jesus ou de Deus)
Está Nela, aos pés da cruz, a marca do sofrimento materno. (da mãe de Jesus)
Hitler sempre confiou na Providência, e via Nela a chance de reverter o destino que o celou.

Observação 2: Esta regra não vale para os demais santos católicos, nem para os personagens de outra religião e muito menos para quaisquer outros personagens históricos, por mais ilustres que sejam. Certamente estamos diante de um caso de flagrante influência que o cristianismo ainda exerce nos países signatários do presente Acordo.
 
 
3º - Nos compostos tradicionalmente escritos com o dito apóstrofo: cobra-d'água, olho-d'água, galinha- -d'água, caixa-d'água, estrela-d'alva, mãe-d'água, etc.
 
 
4º - Não se utiliza o apóstrofo em construções do tipo: destas, daquela, daqueloutro, dacolá, dantes, dalgum (de algum), doutro, doutrora, doutrem, etc.


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domingo, 17 de fevereiro de 2013

À MEDIDA QUE ou NA MEDIDA EM QUE?

Há uma diferença considerável entre as locuções à medida que e na medida em que. Basta atentarmos para o fato de que à medida que se aplica quando nos referimos à ideia de proporção, ao passo que na medida em que à ideia de causa ou condição.
 
Vamos analisar as três frases abaixo:
 
1 - À medida que se estuda, mais se amplia o conhecimento.
2 - O corte no orçamento é injusto, na medida em que afeta principalmente a classe trabalhadora.
3 - O último portão só deverá ser aberto na medida em que efetivamente ajudar a aumentar o fluxo dos visitantes.
 
A primeira das frases nos remete ao sentido de proporção; a segunda, de causalidade; a terceira, de condição.
 
O método prático para se saber qual locução usar é o seguinte: substitua as referidas locuções por à proporção que, desde que (ou pois ou porque) e por se. Vamos fazer as substituições na ordem apresentada:
 
1 - À proporção que se estuda, mais se amplia o conhecimento.
2 - O corte no orçamento é injusto, pois afeta principalmente a classe trabalhadora.
3 - O último portão só deverá ser aberto se efetivamente ajudar a aumentar o fluxo dos visitantes.

Sempre que se puder usar à proporção que, use à medida que (e não na medida em que). Por sua vez, sempre que se puder empregar se ou pois ou porque, use na medida em que (e nunca na medida que nem à medida que). Não existe a locução na medida que.
 
Ficou demonstrado, portanto, que as substituições não alteraram o sentido das frases originais, de modo que as locuções foram devidamente aplicadas.
 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

ERA PERTO ou ERAM PERTO DE CINCO HORAS?

De acordo com Cegalla, "Estando a expressão que designa horas precedida da locução perto de, hesitam os escritores entre o plural e o singular".

Assim, ainda citando Cegalla, Machado de Assis utilizou as duas opções:

"Eram perto de oito horas" e "Era perto das duas horas quando saiu da janela",

enquanto Eça de Queiroz assim escreveu:

"...era perto das cinco quando saí".

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sábado, 12 de janeiro de 2013

COMPARECER A ou COMPARECER EM?

Na linguagem padrão se recomenda comparecer a e não comparecer em. Assim, são incorretas as frases do tipo:
 
Intime-se o réu, a fim de que compareça na sala de audiências. 
Ele compareceu no Fórum pontualmente às 10 horas.
 
 
De acordo com a regra devemos escrever corretamente:
 
 
Intime-se o réu, a fim de que compareça à sala de audiências.
Ele compareceu ao Fórum pontualmente às 10 horas.
 
 
Vale ressaltar que se deve atentar para o correto emprego da preposição (com ou sem crase ou realizando a combinação a + o = ao), conforme fizemos nos dois exemplos citados.
 
Conforme é visto em muitos expedientes forenses, é comum o emprego incorreto da preposição "em", como na frase escrita logo no início desta postagem.
 
Outra aparente dúvida se deve quanto ao emprego da regência do verbo chegar, razão por que frequentemente alguns indagam se devemos escrever "Chegou a Fortaleza", "Chegou em Fortaleza" ou ainda "Chegou à Fortaleza".
 
Sobre este assunto recomendamos o que escrevemos noutra ocasião (clique no link abaixo):
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domingo, 2 de dezembro de 2012

PAPAI NOEL ou PAPAI-NOEL?

Consideremos a frase logo abaixo, escrita corretamente quanto aos empregos do hífen e das iniciais maiúsculas e minúsculas:
 
A criança recebeu, na noite de Natal, um papai-noel do Papai Noel.
 
A primeira indagação a ser feita seria sobre a possibilidade de escrevermos o vocábulo em questão com ou sem hífen, bem como se seria possível o emprego de ambas as iniciais: maiúsculas e minúsculas.
 
Vamos às respostas.
 
Em se tratando do personagem folclórico natalino, devemos escrever Papai Noel (sem hífen e com as iniciais maiúsculas - neste caso por se tratar de um nome próprio, mesmo fictício, conforme recomenda o novo acordo ortográfico). O itálico, aqui, é mero destaque.
 
Já o vocábulo papai-noel (com hífen e com iniciais minúsculas) significa "presente de Natal", daí as diferenças do outro vocábulo acima mencionado.
 
Vale ressaltar que o segundo termo não é usado no dia a dia (muito menos na época apropriada), razão por que - acreditamos - praticamente nem é disseminado pelos mais diversos meios de comunicação.
 
Finalmente, cabe a observação de que o Volp registra papai-noel, mas não traz seu significado. Daí a necessidade de uma consulta a um renomado dicionário (como o Aurélio, que explica essa diferença).
 
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domingo, 11 de novembro de 2012

AS MILHARES ou OS MILHARES DE PESSOAS?

Milhares, milhões e bilhões deverão ser escritos no masculino. Sempre no masculino.
 
Os vocábulos em questão são classificados, de acordo com o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, como numerais e substantivos masculinos.
 
Sendo assim, os numerais, pronomes e artigos que os antecedem não podem ficar no feminino. Vejamos algumas frases corretas:
 
Estão armazenados no armazém dois milhares de sacas de feijão.
 
Os dois milhares de plantas foram destruídos.
 
Os bilhões de criaturas humanas em breve brigarão por água potável.
 
Alguns milhares de casas não estão dignas de moradia.
 
Os milhares de pessoas se amontoavam como nunca visto antes.
 

Observação: Quando o sujeito da oração for um desses vocábulos, o particípio ou o adjetivo podem concordar no feminino, dada a atração com o substantivo feminino plural.

De tal modo, está justificada a concordância que fizemos no penúltimo exemplo. Observe que não usamos "dignos" e sim "dignas". Atente que nos demais exemplos sempre empregamos a forma masculina.

Pela mesma regra, poderíamos escrever:

Estão armazenadas no armazém dois milhares de sacas de feijão.
 
Os dois milhares de plantas foram destruídas.

Os bilhões de criaturas humanas em breve brigarão por água potável.

Alguns milhares de casas não estão dignos de moradia. (Forma menos recomendada, por questão de eufonia)

Por questão de eufonia e estética, é que nesta última frase (a mesma penúltima das primeiras apontadas) recomendamos o emprego feminino e não o masculino. Nos demais casos, o masculino tem nossa recomendação.

Mas atenção: Perceba que os vocábulos escritos antes de milhares, milhões e bilhões permanecem no masculino, ainda que os particípios fiquem no feminino.
 
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domingo, 21 de outubro de 2012

É CORRETO DIZER "A EMPRESA INDENIZARÁ OS PREJUÍZOS"?

Não, não é correto.

Diz-se corretamente: A empresa indenizará o funcionário pelos prejuízos.

Também não se deve dizer: A empresa indizerá ao funcionário pelos prejuízos, uma vez que o verbo indenizar é transitivo direto de pessoa e, quando indireto, de coisa:
 
Indenizei o colega dos gastos feitos na viagem.
 
Consequentemente, são desaconselhadas  as seguintes construções:
 
Os prejuízos do funcionário foram indenizados pela empresa.
 
O funcionário teve os prejuízos indenizados pela empresa.
 
Mas atenção:
 
As duas últimas construções acima citadas são costumeiramente adotadas por alguns meios de comunicação, daí encontrarmos manchetes como "Prejuízos causados por _____ são indenizados".
 
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